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Multas da NR-1: O custo da negligência no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) 

A versão moderna da Norma Regulamentadora nº 1 estabelece as obrigações fundamentais para todas as empresas com relação à identificação, avaliação e mitigação de riscos ocupacionais. Essa modernização exige das empresas uma adequação significativa sob o risco de aplicação de multas da NR-1.

Afinal, a atualização da NR-1 consolidou uma mudança importante na forma como as empresas brasileiras devem gerenciar a Segurança e Saúde no Trabalho (SST): a saída de um modelo reativo para um modelo preventivo, estruturado e contínuo.

O que a NR-1 exige?

A NR-1 atual é caracterizada como “Norma Geral”, o que significa que suas disposições se aplicam a todos os ambientes de trabalho e servem como base para todas as outras normas regulatórias especializadas. 

O pilar central desta nova era é o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), um processo contínuo que visa integrar a saúde e segurança à estratégia de negócios da organização. 

A materialização desse processo ocorre por meio do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que é uma ferramenta de gestão viva que deve ser atualizada pelo menos a cada dois anos, ou antes, se houver mudanças significativas nos processos, equipamentos ou após a ocorrência de acidentes.

Requisitos Estruturais do Programa de Gerenciamento de Riscos

O PGR deve ser composto por duas partes essenciais e inseparáveis: o Inventário de Riscos Ocupacionais e o Plano de Ação. A validade legal do programa depende da precisão técnica e da atualização constante desses componentes.

O Inventário de Riscos e multas da NR-1

O Inventário de Riscos é a espinha dorsal técnica do PGR. Deve conter uma caracterização abrangente dos processos de trabalho, ambientes e atividades. A negligência nesta fase, como a falha em identificar um perigo específico ou a descrição inadequada da fonte de um risco, é um dos principais motivos para infrações da norma NR-28. 

O inventário deve incluir: caracterização do processo, descrição das atividades, identificação de perigo, indicação do impacto à saúde, dados de monitoramento e classificação de risco.

As organizações são legalmente obrigadas a manter esses registros por um período mínimo de 20 anos. Esse requisito de longo prazo visa facilitar o rastreamento epidemiológico e fornecer um rastro de evidências claras em casos de doenças ocupacionais que podem se manifestar apenas décadas após a exposição inicial.

O Plano de Ação

O Plano de Ação é a resposta operacional às constatações do Inventário de Riscos. Para cada risco classificado como necessitando de intervenção, a organização deve definir medidas preventivas específicas, identificar os responsáveis e estabelecer prazos claros para a implementação. 

Um ponto comum de negligência é o plano de ação “vazio”, em que os riscos são identificados, mas as medidas correspondentes são vagas ou carecem de responsabilização.

Aos olhos dos inspetores do trabalho, um plano de ação incompleto equivale à ausência do próprio programa, pois demonstra uma falha na mitigação de perigos conhecidos.

Gestão de Riscos Químicos e multas da NR-1 

Os riscos químicos ocupam um espaço especializado e altamente regulamentado dentro da estrutura da NR-1. A conformidade nesta área exige uma integração perfeita entre o PGR e as normas estabelecidas pela NR-26 (Sinalização de Segurança) e pela ABNT NBR 14725:2023. 

A recente atualização da NBR 14725, que alinha a classificação e rotulagem brasileiras com a 7ª edição do Sistema Globalmente Harmonizado (GHS), introduziu mudanças significativas que impactam diretamente o custo da conformidade e o risco de multas.

A tradicional FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos) foi substituída pela FDS (Ficha com Dados de Segurança).  A FDS mantém a estrutura de 16 seções, mas inclui requisitos de dados mais rigorosos. 

A negligência na gestão de riscos químicos muitas vezes se manifesta como a falha em manter um inventário completo de substâncias. Todos os produtos químicos presentes no local de trabalho, desde solventes industriais a produtos de limpeza, devem ser incluídos no inventário. 

A falta de uma Ficha com Dados de Segurança (FDS) atualizada ou a rotulagem inadequada de acordo com os critérios do GHS é classificada como uma violação grave, pois impede que os trabalhadores compreendam os riscos específicos à saúde (frases H) e as precauções necessárias (frases P) associadas aos produtos que manuseiam.

As Multas e Penalidades (Baseadas na NR-28)

Fica claro que quando falamos de multas da NR-1, na verdade, são registradas infrações referentes à norma regulamentadora 1 e as penalidades são aplicadas de acordo com regulações específicas.

O impacto financeiro da negligência é quantificado por meio da NR-28 (Fiscalização e Penalidades), que estabelece os critérios técnicos para a imposição de multas administrativas. A publicação da Portaria MTE nº 104, em janeiro de 2026, atualizou os códigos de infrações e ajustou os valores das penalidades para contabilizar a inflação e as alterações legislativas.

O cálculo de uma multa NR-28 é um processo multifásico que considera:

  1. O Nível de Severidade (I1 a I4): Cada item das normas regulamentares recebe uma classificação de 1 (leve) a 4 (muito grave) com base no seu potencial para causar acidentes ou doenças.
  2. O Tipo de Infração: As infrações são categorizadas como “S” para Segurança do Trabalho ou “M” para Medicina do Trabalho.
  3. Porte da Empresa: A multa aumenta progressivamente com base no número de empregados no estabelecimento, atingindo o seu valor máximo para empresas com mais de 1.000 trabalhadores.

Exemplos de Cenários Comuns de Multas

  • Falha na Implementação do PGR – Trata-se de uma falha de gestão abrangente. As multas são normalmente aplicadas por item não abordado (por exemplo, falta de inventário, falta de plano de ação, falta de atualização), resultando em penalidades cumulativas que podem ultrapassar R$ 20.000,00 em uma única auditoria.
  • Ausência de Treinamento: De acordo com a NR-1, as organizações devem fornecer treinamento inicial, periódico e ocasional. As multas por falhas no treinamento são frequentemente multiplicadas pelo número de funcionários que não receberam a instrução.
  • Ausência da Ordem de Serviço (OS): A omissão em informar formalmente um trabalhador sobre os riscos e proteções de sua função específica acarreta uma multa que varia de R$ 1.129 a R$ 3.284.
  • Omissão Psicossocial: Após maio de 2026, a omissão no mapeamento de fatores estressantes ou riscos de assédio no PGR será tratada como uma violação de grau I3 ou I4 devido à alta probabilidade de comprometimento crônico da saúde.

Além do boleto – Custos Ocultos

As multas administrativas são frequentemente a consequência financeira mais visível, porém menos significativa, da negligência em relação ao SST. O “iceberg” dos custos do SST inclui despesas indiretas que podem desestabilizar a saúde financeira de uma empresa.

Paralisações e Interdições Operacionais

De acordo com a NR-28 e a CLT, os fiscais do trabalho têm o poder de ordenar a interdição imediata de uma máquina, um setor ou todo o estabelecimento se identificarem um “Grave e Iminente Risco” (risco grave e iminente) à segurança dos trabalhadores. O custo de uma paralisação inclui:

  1. Mão de obra ociosa: A empresa deve continuar pagando salários durante a interdição, mesmo que não haja produção.
  2. Penalidades contratuais: Falha na entrega de produtos ou serviços aos clientes devido à paralisação das linhas de produção.
  3. Remediação emergencial: O alto custo de acelerar as melhorias de segurança sob a pressão de uma paralisação ordenada pelo governo.

Leia também: Qual o custo dos acidentes de trabalho com produtos químicos para a sua empresa?

Responsabilidades trabalhistas e precedentes judiciais

A negligência na gestão da NR-1 serve como principal prova em ações trabalhistas. Os Tribunais Regionais do Trabalho (TRT), têm usado consistentemente a ausência de um PGR adequado para justificar indenizações significativas.

Em um caso de 2024, uma empresa de logística foi condenada a pagar R$ 300.000,00 em danos morais a cada um dos pais de um trabalhador falecido por não ter implementado os protocolos de segurança exigidos para espaços confinados (NR-33) e por não ter apresentado os registros necessários do Inventário de Riscos.

Em alguns casos, o “custo da negligência” passa de milhares de reais para milhões, potencialmente ameaçando a existência da organização.

O Multiplicador FAP/RAT: O Imposto sobre a Negligência

O custo oculto mais persistente é o Fator Acidentário de Prevenção (FAP). Esse multiplicador é aplicado à contribuição para o Risco Ambiental do Trabalho (RAT), que é um percentual obrigatório da folha de pagamento total (1%, 2% ou 3%, conforme a CNAE). 

O FAP varia de 0,5 (para empresas seguras) a 2,0 (para empresas negligentes), funcionando como um bônus ou uma penalidade com base na frequência, gravidade e custo dos acidentes e doenças da empresa para o sistema previdenciário. 

Além disso, o cálculo do FAP agora inclui benefícios relacionados à saúde mental (B91), o que significa que falhas no novo requisito de gestão psicossocial se manifestarão como aumento da carga tributária por pelo menos dois anos.

Como Evitar Multas da NR-1 e Promover a Segurança

Para alterar um cenário de alta vulnerabilidade para um de conformidade, as organizações devem adotar uma abordagem multifacetada que combine rigor técnico com comprometimento da liderança.

Auditorias e Responsabilidade Técnica

Auditorias profissionais são essenciais para garantir que o PGR não seja apenas um documento copiado e colado, mas um reflexo das condições reais de trabalho. As auditorias de alta qualidade devem verificar:

  • Integridade da Fonte: Os perigos listados no inventário são perigos reais encontrados no chão de fábrica?
  • Precisão das Medições: As medições químicas e físicas estão atualizadas e foram realizadas por profissionais qualificados?
  • Execução do Plano de Ação: Os prazos estabelecidos no plano do ano anterior foram cumpridos e há evidências documentadas das medidas corretivas?

Treinamento e a “Ordem de Serviço”

O treinamento é a maneira mais eficaz em termos de custo para reduzir o FAP. A NR-1 exige que os trabalhadores sejam treinados para reconhecer os riscos do seu ambiente de trabalho e o uso correto de medidas preventivas. 

A “Ordem de Serviço” (OS) serve como defesa legal, comprovando que o empregador cumpriu seu dever de informar. 

Integração Tecnológica (Software SST)

A complexidade da gestão moderna de SST tornou os sistemas manuais (planilhas e arquivos em papel) obsoletos e arriscados. Plataformas especializadas oferecem diversas vantagens críticas:

  • Conformidade Centralizada: Integração do PGR, PCMSO (Monitoramento de Saúde) e LTCAT (registros da Previdência Social) em um único banco de dados.
  • Triagem Psicossocial Automatizada: Plataformas que utilizam metodologias validadas para identificar burnout e estresse, gerando painéis de controle em tempo real para as equipes de RH e SST.
  • Sincronização eSocial: Transmissão automática dos eventos S-2210 (Acidentes), S-2220 (Exames) e S-2240 (Exposição ao Risco), o que reduz o risco de “auditorias remotas” causadas por inconsistências nos dados.
  • Histórico Digital: Atendimento à exigência de retenção de 20 anos por meio de armazenamento seguro em nuvem, acessível durante processos judiciais ou inspeções.

Saiba mais: Prevenção no Trabalho: Como a Segurança Pode Economizar Bilhões para as Empresas

Consultoria especializada

Uma consultoria especializada em Segurança e Saúde no Trabalho (SST) é crucial para manter o inventário de riscos impecável, conforme a NR-1. A consultoria estrutura o processo de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) como um ciclo de vida contínuo. 

Isso significa que o inventário é desenhado para ser dinâmico, e o suporte externo garante que a empresa mantenha a disciplina necessária para essas atualizações, evitando que o PGR se torne um documento estático e obsoleto.

Como a consultoria atua para manter o inventário de riscos perfeito:

  1. Levantamento Preliminar e Identificação Precisa: A consultoria realiza o reconhecimento minucioso dos ambientes, processos e atividades, identificando perigos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais.
  2. Avaliação de Riscos (Matriz de riscos): Utiliza metodologia técnica para avaliar probabilidade e severidade, classificando o nível de risco ocupacional para priorizar ações.
  3. Gestão de Riscos Psicossociais: Inclui fatores como assédio moral e sexual, que são exigências cruciais na NR-01 atualizada, utilizando métodos validados para evitar subjetividade.
  4. Atualização e Melhoria Contínua: Mantém o inventário atualizado em caso de mudanças nas atividades, novas tecnologias ou após acidentes, garantindo que o documento reflita a realidade da empresa.
  5. Documentação e Conformidade (Compliance): Garante que o inventário de riscos e o plano de ação estejam em conformidade com as exigências da fiscalização, com registros estruturados e acessíveis.

A transição para a NR-1 atualizada significa que a segurança ocupacional não é mais uma preocupação periférica, mas é uma questão central de governança. 

Para as organizações, o “custo da negligência” é um imposto evitável, considerando que a falta de atendimento às exigências legais é cada vez mais detectável devido à transparência proporcionada pelo sistema eSocial, que permite que os auditores trabalhistas identifiquem falhas de gestão remotamente, antes mesmo de visitarem o local físico.

Portanto, o único caminho sustentável a seguir é a integração da SST na estrutura de gestão corporativa mais ampla.

Conheça a Chemical Risk

Uma empresa de consultoria em segurança química, como a Chemical Risk, auxilia empresas a gerenciar proativamente os riscos químicos, identificando perigos, mapeando perigos potenciais e fornecendo treinamento especializado.

Com isso, ajudamos na implementação de estratégias eficazes de prevenção, com foco em avaliação de riscos, auditorias de segurança e programas de conformidade, promovendo um ambiente de trabalho mais seguro para os funcionários e reduzindo o risco de acidentes ou incidentes, trazendo reflexos financeiros positivos para a empresa.

Para saber mais sobre nossos serviços, entre em contato com nossos especialistas!

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