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Entenda os riscos de exposição ao gás sulfídrico

O sulfeto de hidrogênio, também conhecido como gás sulfídrico, é um gás incolor e muito famoso por seu odor pungente de “ovo podre” em baixas concentrações. É extremamente inflamável e altamente tóxico.

Os efeitos do sulfeto de hidrogênio na saúde dependem de quanto H2S o trabalhador respira e por quanto tempo. No entanto, muitos efeitos são vistos mesmo em baixas concentrações. Os sintomas variam de leves, dores de cabeça ou irritação nos olhos, a muito graves, como inconsciência e morte.

Uma pequena história sobre o gás sulfídrico

Em 1713, um notável médico italiano chamado Bernardino Ramazzini publicou De Morbis Artificum, ou Doenças de Trabalhadores.

No Capítulo 14, intitulado “Doenças de Limpadores de Vasos sanitários e Fossas sépticas”, ele descreve uma inflamação dolorosa dos olhos que era comum entre esses trabalhadores. A inflamação geralmente levava à invasão bacteriana secundária e, às vezes, à cegueira total. 

Exibindo uma visão surpreendente, Ramazzini levantou a hipótese de que, quando os limpadores movimentavam os excrementos no decorrer de seu trabalho, um ácido volátil desconhecido era produzido, o que irritava os olhos. Era também responsável, pelo menos em parte, pelo odor dos excrementos. E, hoje em dia, se sabe que é gerado onde quer que a matéria orgânica apodreça.

Ramazzini postulou ainda que esse mesmo ácido estava fazendo com que as moedas de cobre e prata que os trabalhadores tinham em seus bolsos ficassem pretas em suas superfícies.

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O ‘gás fatal da rede de esgoto’

Por volta de 1777, uma série de acidentes – alguns deles fatais – começaram a ocorrer em Paris devido a um gás que emanava de sua rede de esgoto. A comissão designada para estudar os casos tornou públicos seus achados em 1785. 

O relatório descreveu dois tipos distintos de intoxicações: uma leve envolvendo inflamação dos olhos e das mucosas, conforme já descrito por Ramazzini, e uma forma grave, caracterizada por uma forma fulminante (desenvolvimento rápido) de asfixia. 

Não é de se admirar que o escritor franco-romântico Victor Hugo (1802-1885) se referisse aos esgotos parisienses como “o intestino do Leviatã”. Muitos anos se passariam, no entanto, antes que as análises químicas confirmassem a presença de sulfeto de hidrogênio, o gás sulfídrico, nos esgotos e o indicassem como a causa dos acidentes.

‘Gás de enxofre’

Por volta de 1750, um humilde jovem sueco chamado Carl Wilhelm Scheele, que iniciou sua carreira como boticário e tornou-se um químico talentoso, tratou sulfeto ferroso (pirita ou ouro de tolo) com um ácido mineral. Ele chamou o odor fétido que resultou, de Schwefelluft (ar de enxofre) e se referiu a ele como fedorento. 

Hoje, nos referimos ao odor como o de ovo podre. Seu patrono, o químico e mineralogista sueco Torbern Olof Bergman, também demonstrou sua presença em algumas fontes minerais. A data de publicação dessas observações originais foi 1777 – na época dos acidentes em Paris.

Doença estranha

Em meados de 2009, começaram a surgir relatos no sudeste dos Estados Unidos de uma doença estranha. Proprietários de casas relataram sangramentos nasais, irritação dos seios nasais e problemas respiratórios que pareciam estar associados à corrosão de canos de cobre e bobinas de ar condicionado em suas casas. 

Descobriu-se que o drywall utilizado estava contaminado com sulfeto de estrôncio, um sal instável que libera sulfeto de hidrogênio quando exposto à umidade. Estimou-se que 100.000 casas foram afetadas. 

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Características do gás sulfídrico

O odor do sulfeto de hidrogênio pode ser percebido pelos humanos (limiar do odor) em quantidades tão pequenas quanto 8,1 ppb (11 μg/m3). É citada percepção em concentrações tão baixas quanto 470 partes por trilhão.

Como é possível identificar

O gás sulfídrico é uma ameaça silenciosa, muitas vezes invisível aos sentidos do corpo. A inalação é a principal via de exposição ao sulfeto de hidrogênio. Embora possa ser facilmente sentido por algumas pessoas em pequenas concentrações, a exposição contínua até mesmo em níveis baixos de H2S amortece rapidamente o sentido do olfato (dessensibilização olfativa). 

A exposição aos altos níveis de gás pode amortecer o olfato instantaneamente e, embora o seu odor seja uma forte característica, não deve ser utilizado como um indicador da presença ou para indicar concentrações crescentes do gás.

Onde é encontrado

O ácido sulfídrico, como é popularmente tratado, é uma solução aquosa, que ocorre naturalmente no petróleo cru, gás natural, gases vulcânicos, e mananciais de águas termais (próximas a vulcões). 

Também pode ocorrer como resultado da degradação bacteriana de matéria orgânica em condições anaeróbicas. É produto de dejetos animais e humanos. 

Como é produzido

O ácido sulfídrico pode ser produzido por atividades industriais, tais como processamento alimentício, coquerias, fábricas de papel, curtumes e refinarias de petróleo.

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Efeitos perigosos do gás sulfídrico

Você pode estar pensando: “Como o sulfeto de hidrogênio pode ser tão perigoso se o nosso próprio corpo o produz?”. Mas, embora possamos lidar com pequenas quantidades de exposição ao sulfeto de hidrogênio, qualquer coisa além da quantidade normal produzida por nosso corpo pode ser muito prejudicial à nossa saúde, conforme veremos a seguir:

  • Exposição em níveis baixos (10 ppm ou menos) 

Os efeitos comuns da inalação de baixas concentrações de sulfeto de hidrogênio (10 ppm ou menos) são queimação nos olhos, tosse e falta de ar. A exposição repetida ou prolongada em níveis baixos de concentração pode causar inflamação nos olhos, dores de cabeça, fadiga, irritabilidade, insônia e perda de peso.

  • Exposição em níveis moderados 

A exposição em níveis moderados de concentração de sulfeto de hidrogênio pode resultar em severa irritação ocular, severa irritação respiratória (tosse, dificuldade respiratória, líquido nos pulmões), dor de cabeça, náusea, vômito e tontura.

  • Exposição em níveis elevados (100 ppm ou superior) 

Os efeitos da exposição em níveis elevados (100 ppm ou mais) de sulfeto de hidrogênio podem ser graves e fatais. Os efeitos incluem choque, convulsões, incapacidade de respirar, rápida perda de consciência, coma e morte.

Como reduzir os riscos ao gás sulfídrico

Para proteger os trabalhadores de exposições prejudiciais ao sulfeto de hidrogênio, algumas etapas devem ser seguidas:

  • Reconhecimento do risco 

Identificar os processos que podem liberar ou produzir sulfeto de hidrogênio e, nesse caso, incluir espaços confinados, ambientes sem ventilação, atividades com fontes de ignição e outros que possam desencadear explosões. Avalie a exposição para saber se o gás sulfídrico está presente e em que níveis.

Leia aqui: Como mapear o risco e fazer uma gestão responsável

  • Controle da exposição

Use sistemas de exaustão e ventilação para reduzir os níveis de sulfeto de hidrogênio. Certifique-se de que o sistema seja anti-faíscas, esteja aterrado, resistente à corrosão, isolado de outros sistemas de ventilação e exaustão, além de ser à prova de explosão.  

Essas medidas de segurança são importantes, porque o sulfeto de hidrogênio é inflamável e pode corroer os materiais se não estiverem devidamente protegidos. Ao trabalhar em espaços confinados, a ventilação deve operar continuamente.  

Para monitorar com precisão as muitas áreas, em que esse gás pode representar um perigo, podem ser utilizados detectores de gás H2S, incluindo os detectores multigases pessoais, monitores de gás único entre outros.

  • Treine os trabalhadores sobre os riscos e controles 

Os tópicos de treinamento podem incluir: características, fontes e riscos à saúde do gás sulfídrico, sintomas de exposição ao sulfeto de hidrogênio, tipos de métodos de detecção e limites de exposição aplicáveis.

Além disso, devem ser explicados as práticas e os procedimentos no local de trabalho para proteger os profissionais contra a exposição ao sulfeto de hidrogênio, verificando aqui planos de emergência, localização de equipamentos de segurança, técnicas de resgate, primeiros socorros, procedimentos de espaço confinado etc.

  • Adote equipamento de proteção respiratória e outros EPIs 

Se os controles administrativos e de engenharia não puderem reduzir o sulfeto de hidrogênio abaixo do limite de exposição permissível, deverá ser adotada proteção respiratória e outros equipamentos de proteção individual (EPI), como proteção para os olhos e possivelmente roupas resistentes ao fogo. 

Deverá ser elaborado o programa de proteção respiratória (PPR), para que o correto equipamento de proteção respiratória seja adotado de acordo com o nível de exposição ocupacional existente. 

  • Estabeleça procedimentos de resgate adequados 

Os socorristas devem ser treinados e protegidos adequadamente antes de entrar em áreas com níveis elevados de gás sulfídrico. A proteção deve incluir: aparelho respiratório autônomo de pressão positiva (SCBA) e uma linha de segurança para permitir uma saída rápida se as condições se tornarem perigosas.

Agora que você já conhece os perigos associados ao sulfeto de hidrogênio, fica claro porque esse gás é também conhecido como o gás da morte. 

Conte com uma consultoria especializada

Os processos que utilizam esse produto químico exigem controle adequado e permanente para que eventos graves não sejam vivenciados pela empresa, colocando em risco a integridade dos colaboradores e a continuidade do negócio.

Por isso, uma consultoria em segurança química se torna essencial para avaliar os riscos no ambiente de trabalho, o nível de exposição dos trabalhadores ao gás sulfídrico e quais as medidas de controle que devem ser adotadas.

Com mais de 10 anos de experiência, profissionais altamente qualificados, serviços de excelência e atendimento integral, a Chemical Risk é a assessoria especializada ideal para ajudar a sua empresa.

Atuamos no mapeamento e análise de todos os riscos envolvidos, gestão completa da segurança química e a recomendação das melhorias a serem realizadas nas instalações corporativas.

Temos uma ampla gama de serviços de segurança química, saúde e segurança ocupacional e treinamentos para garantir que seus colaboradores e seu negócio estejam preparados para controlar os riscos, evitar incidentes e se manter no cumprimento das legislações, minimizando a chance de sofrer multas.

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