Embora desempenhem um papel crucial na gestão de resíduos e, cada vez mais, na geração de energia, os aterros sanitários também representam riscos significativos devido aos complexos processos químicos que ocorrem durante a decomposição dos resíduos.
Esses riscos devem ser gerenciados cuidadosamente para proteger os trabalhadores, as comunidades vizinhas e o meio ambiente.
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Índice
Toggle4 principais riscos dos aterros sanitários
Gases inflamáveis (Metano e Sulfeto de Hidrogênio)
O metano (CH₄) é gerado durante a decomposição anaeróbica da matéria orgânica. É altamente inflamável e explosivo quando se acumula em áreas confinadas ou mal ventiladas. O sulfeto de hidrogênio (H₂S), outro subproduto, é inflamável e tóxico.
Liberação de substâncias tóxicas
Os aterros sanitários emitem uma mistura de compostos orgânicos voláteis e outros gases que podem representar riscos agudos ou crônicos à saúde.
Resíduos químicos em resíduos sólidos
Resíduos domésticos, industriais e eletrônicos frequentemente contêm metais pesados (por exemplo, mercúrio, chumbo, cádmio), solventes, baterias e pesticidas, que podem contaminar o solo e as águas subterrâneas. Sem o controle adequado, esses resíduos contribuem para a contaminação ambiental e aumentam o risco de exposição ocupacional para trabalhadores de aterros sanitários.
Riscos combinados e perigos operacionais
A presença de gases inflamáveis e contaminantes químicos cria um cenário de risco complexo, onde uma pequena falha pode levar a incêndios, explosões, exposições tóxicas ou danos ambientais. Espaços confinados, terrenos irregulares e maquinário pesado adicionam camadas de riscos físicos e ergonômicos para os trabalhadores.
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Importância da identificação de substâncias químicas nos resíduos
A identificação adequada de substâncias químicas em resíduos antes do descarte é uma etapa crítica para garantir a segurança ambiental, a conformidade regulatória e a saúde ocupacional em aterros sanitários. Compreender a composição química dos resíduos permite o gerenciamento eficaz de perigos e apoia operações sustentáveis em aterros sanitários.
1. Avaliação de riscos e controle de perigos
Saber quais produtos químicos estão presentes permite que os operadores de aterros sanitários avaliem riscos potenciais, como toxicidade, inflamabilidade ou reatividade. A identificação ajuda a implementar medidas adequadas de contenção, monitoramento e resposta a emergências para prevenir acidentes envolvendo vazamentos tóxicos ou incêndios.
2. Conformidade com as regulamentações ambientais
Muitos países têm regulamentações rígidas que exigem a classificação, rotulagem e documentação de resíduos perigosos, assim como o Brasil. A identificação precisa de substâncias químicas garante que os aterros sanitários operem dentro dos marcos legais, evitando multas e responsabilidades.
3. Proteção da saúde e segurança dos trabalhadores
Os trabalhadores ficam mais protegidos quando são informados sobre os perigos químicos específicos que podem encontrar. A identificação adequada orienta a seleção de equipamentos de proteção individual (EPI) e procedimentos seguros de manuseio.
4. Proteção ambiental
Produtos químicos como metais pesados, solventes e poluentes orgânicos persistentes podem contaminar o solo e as águas subterrâneas se não forem gerenciados. A identificação precoce facilita a segregação adequada de resíduos, o tratamento ou métodos especiais de descarte para minimizar os riscos de contaminação.
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Segurança ocupacional em aterros sanitários: Pontos de atenção
As operações em aterros sanitários, particularmente aquelas que envolvem recuperação de energia a partir de biogás, expõem os trabalhadores a riscos ocupacionais específicos.
Garantir a segurança ocupacional requer uma abordagem multifacetada, focada em equipamentos de proteção individual (EPI), controles de engenharia (EPC), treinamento abrangente e protocolos rigorosos.
1. Equipamentos de proteção individual (EPI)
Os trabalhadores devem usar EPIs especializados com base nos riscos identificados, incluindo:
- Roupas resistentes a chamas para reduzir queimaduras por possíveis incêndios ou explosões;
- Proteção respiratória, como máscaras de gás ou respiradores com suprimento de ar, para proteção contra a inalação de metano, sulfeto de hidrogênio e COVs;
- Luvas e botas resistentes a produtos químicos para evitar o contato da pele com substâncias perigosas;
- Proteção ocular, como óculos de segurança contra respingos de produtos químicos e poeira.
A seleção dos EPIs deve ser baseada em avaliações de risco completas e atualizadas regularmente.
2. Controles de engenharia e procedimentos (EPC)
Alguns controles de engenharia importante são:
- Sistemas de ventilação adequados para evitar o acúmulo de gás em espaços confinados ou mal ventilados;
- Sistemas de detecção e alarme de gás que emitem alertas antecipados de concentrações perigosas;
- Uso de equipamentos elétricos à prova de explosão em áreas com gases inflamáveis;
- Barreiras físicas e acesso controlado a zonas perigosas para limitar a exposição.
3. Treinamento e conscientização
É possível realizar programas regulares de treinamento para todos os colaboradores sobre:
- Reconhecimento dos perigos associados a gases de aterro e exposições químicas;
- Uso e manutenção corretos de EPI;
- Procedimentos operacionais seguros para coleta de gás;
- Manuseio de resíduos e manutenção;
- Resposta a emergências, incluindo evacuação e primeiros socorros em caso de intoxicação química ou queimaduras.
O treinamento deve ser atualizado e reforçado com frequência para manter alta conscientização sobre segurança.
4. Protocolos de segurança em áreas de alto risco
Diversos protocolos de segurança precisam ser incorporados nos aterros sanitários como:
- Procedimentos rigorosos de entrada em espaços confinados, exigindo testes de gás e prontidão para resgate, conforme as normas (por exemplo, NR-33 no Brasil);
- Monitoramento atmosférico de rotina antes e durante o trabalho em zonas perigosas;
- Protocolos de comunicação claros e sistemas de autorização de trabalho, garantindo que apenas pessoal autorizado e treinado entre em áreas de risco;
- Protocolos de emergência para incidentes de explosão, incêndio e exposição a produtos químicos, incluindo rotas de evacuação, sistemas de alarme e prontidão para suporte médico.
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Exposição crônica a gases tóxicos nos aterros sanitários e impactos na saúde dos trabalhadores
Trabalhadores de aterros sanitários são frequentemente expostos a uma variedade de gases tóxicos gerados pela decomposição de resíduos orgânicos e pela presença de resíduos químicos. A exposição crônica a esses gases pode levar a efeitos graves e a longo prazo à saúde se não for controlada adequadamente.
1. Gases Tóxicos Comuns em Aterros Sanitários
- Metano (CH₄) – Embora represente principalmente um risco de incêndio e explosão, níveis elevados podem causar deslocamento de oxigênio e asfixia.
- Sulfeto de hidrogênio (H₂S) – Um gás altamente tóxico com um odor característico de ovo podre; mesmo uma exposição crônica de baixa intensidade pode afetar os sistemas respiratório e nervoso.
- Compostos Orgânicos Voláteis (COVs) – Incluem benzeno, tolueno, formaldeído e outros que podem ser cancerígenos ou neurotóxicos.
- Amônia (NH₃) – Irrita as membranas mucosas e o trato respiratório, podendo causar bronquite crônica.
2. Impactos da Exposição Crônica na Saúde
- Problemas Respiratórios – A inalação prolongada pode causar bronquite crônica, sintomas semelhantes aos da asma, redução da função pulmonar e aumento da suscetibilidade a infecções respiratórias.
- Efeitos Neurológicos – A exposição a gases como H₂S e certos COVs pode causar dores de cabeça, tontura, fadiga, perda de memória e comprometimento da função cognitiva.
- Riscos Cardiovasculares – Alguns estudos sugerem que a exposição prolongada a emissões de aterros sanitários pode aumentar o risco de hipertensão e doenças cardíacas.
- Risco de Câncer – Certos COVs (por exemplo, benzeno) são carcinógenos comprovados, associados à leucemia e outros tipos de câncer.
- Irritação da Pele e dos Olhos – O contato repetido com resíduos químicos e gases pode causar dermatite e irritação ocular crônica.
Prevenção de acidentes em aterros sanitários
A operação de aterros sanitários, especialmente aqueles com sistemas de recuperação de energia, envolve riscos complexos que exigem estratégias proativas de prevenção de acidentes. Compreender e gerenciar quase acidentes, incidentes e implementar programas de medicina preventiva são essenciais para aprimorar a segurança e a saúde dos trabalhadores.
1. Quase Acidentes e relatórios de incidentes
Os sistemas de relatórios de incidentes incentivam os trabalhadores a documentar quase acidentes e acidentes, fornecendo dados valiosos para identificar perigos antes que causem danos. A análise de quase acidentes ajuda a descobrir fraquezas sistêmicas, comportamentos inseguros ou falhas de processo que, de outra forma, poderiam passar despercebidas.
Estabelecer uma cultura de relatórios não punitivos motiva os funcionários a compartilhar informações abertamente, melhorando o aprendizado organizacional.
2. Investigação de incidentes e ações corretivas
Todos os incidentes, independentemente da gravidade, devem ser investigados minuciosamente para determinar as causas. Investigações levam a ações corretivas e preventivas, como atualizações de equipamentos, mudanças em procedimentos ou treinamentos aprimorados. Ciclos de melhoria contínua reduzem a recorrência de acidentes e melhoram o desempenho geral de segurança.
3. Programas de Medicina Preventiva
Os programas de medicina preventiva concentram-se na detecção precoce e mitigação de riscos à saúde relacionados à exposição a aterros sanitários. Esses programas normalmente incluem:
- Exames médicos pré-admissionais e periódicos, com ênfase na saúde respiratória, dermatológica e neurológica;
- Monitoramento biológico para exposição a substâncias químicas específicas (por exemplo, metabólitos de benzeno, metais pesados);
- Vacinação contra doenças como hepatite B, tétano e outras relevantes para o trabalho em aterros sanitários;
- Sessões de educação em saúde que promovem comportamentos seguros e escolhas de estilo de vida.
A medicina preventiva ajuda a reduzir o absenteísmo, doenças crônicas e incapacidade de longo prazo entre os trabalhadores.
Como podemos ajudar?
A Chemical Risk, como uma empresa de consultoria em segurança química, pode auxiliar com:
- Identificação de perigos e avaliação de riscos;
- Desenvolvimento de programas e procedimentos de segurança, como protocolos de manuseio e armazenamento seguros para resíduos perigosos;
- Planos de resposta a emergências para derramamentos de produtos químicos.
Atuamos também na conformidade regulatória e documentação.
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