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Fluidos refrigerantes: os desafios de segurança e meio ambiente 

Os fluidos refrigerantes são substâncias que circulam entre os estados gasoso e líquido para transferir calor. São usados para resfriar espaços e objetos em sistemas de ar-condicionado, refrigeração e bombas de calor. 

Eles funcionam absorvendo calor de um ambiente frio e liberando-o em outro lugar. Dessa forma, se tornam essenciais para tudo, desde refrigeradores residenciais e ar-condicionado de automóveis até sistemas de resfriamento industrial em larga escala e sistemas de climatização de edifícios.

Tais fluidos desempenham um papel vital no processo de troca de calor que permite que os sistemas de refrigeração removam o calor de uma área e o transfiram para outro local, resfriando assim o ambiente.

Leia também: Entenda tudo sobre o risco físico frio no ambiente de trabalho

Riscos associados ao uso de fluidos refrigerantes

Vazamentos e manuseio incorreto de fluidos refrigerantes podem causar riscos graves. Entre eles destacamos:

  • Toxicidade e efeitos à saúde 

Alguns refrigerantes são tóxicos (ex.: NH₃ causa irritação e até envenenamento em altas concentrações) e quase todos, em concentrações elevadas, deslocam o oxigênio, causando asfixia. Por exemplo, o CO₂, sendo mais denso que o ar, oferece risco de asfixia em locais fechados. 

Vapores de HFCs e HFOs são pesados (mais densos que ar) e em altas concentrações podem levar à náusea, sonolência e perda de consciência. Além disso, o contato do líquido pressurizado com a pele ou olhos pode causar queimaduras por frio.

  • Inflamabilidade e incêndios 

Hidrocarbonetos (p.ex. R-290, R-600a) e amônia são inflamáveis. Vazamentos podem formar atmosferas explosivas se não forem adequadamente contidos. A principal preocupação é evitar fontes de ignição.

Por isso, instalações devem ser projetadas para minimizar a carga de refrigerante inflamável, com ventilação e sensores de gases apropriados. Note-se que até fluidos “inofensivos” (ex.: R-32) podem causar explosão se em alta concentração e expostos a faíscas.

Saiba mais: Gases industriais: os principais riscos invisíveis no ambiente de trabalho e como preveni-los

  • Impacto ambiental 

Os refrigerantes halocarbonados contribuem para o efeito estufa e/ou destruição da camada de ozônio. O uso indiscriminado de fluídos de alto GWP agrava o aquecimento global, o que motivou acordos internacionais (Protocolo de Montreal e Emenda Kigali).

  • Exposição ocupacional

O manuseio de fluidos refrigerantes exige cuidados como uso de EPI (luvas, máscara, óculos) e treinamento adequado. Contato direto com fluido pressurizado pode causar queimaduras de frio, e inalação repetida de vapores concentrados pode levar a arritmias cardíacas e outros efeitos no sistema nervoso central.

  • Perigos de decomposição térmica e reações químicas perigosas

Alguns fluidos refrigerantes reagem com materiais comuns. Por exemplo, sistemas de refrigeração com amônia não devem usar cobre ou latão nas tubulações, pois reagem violentamente.

Em caso de incêndio ou superaquecimento, refrigerantes halocarbonados se decompõem em gases ácidos tóxicos (como fluoreto de hidrogênio, HF), exigindo evacuação imediata do local. 

Diretrizes de segurança para fluidos refrigerantes

A gestão do ciclo de vida dos fluidos refrigerantes requer uma abordagem tripartite, abrangendo a seleção informada, o monitoramento contínuo e o descarte responsável (3R: Recolhimento, Reciclagem e Regeneração).

Veja boas práticas de segurança:

1. Seleção ambientalmente responsável 

Priorizar refrigerantes de baixo ODP/GWP adequados ao sistema. Por exemplo, sempre que possível usar refrigerantes naturais (NH₃, CO₂, HCs) ou HFOs em vez de HFCs de alto GWP. Verificar compatibilidade do fluido com o equipamento (material de tubulações, óleos lubrificantes, vedações) antes da escolha.

2. Projeto e instalação seguros 

Garantir ventilação adequada nos ambientes com refrigerantes (principalmente se tóxicos/inflamáveis) e afastamento de fontes de ignição. 

Usar válvulas de segurança, limitadores de pressão e sensores de vazamento/alarmes para detectar escape de gás. 

Instalar detectores compatíveis com o tipo de gás (por exemplo: infravermelho para HFC/HFO, ultrassônico para amônia/CO₂) e ter sistemas de exaustão automática para dispersar o gás em caso de vazamento.

Veja também: Agentes químicos no ar: qual a diferença entre fumos, poeiras, névoas, gases e vapores?

3. Manutenção preventiva e monitoramento 

Realizar inspeções periódicas (pelo menos anuais) para identificar vazamentos, corrosão ou desgaste de componentes. Testes de estanqueidade com nitrogênio e estabilização de vácuo são práticas úteis para detectar fissuras antes de carregar o sistema. 

Usar sniffer eletrônico, lâmpadas de halogênio ou câmeras ultravioleta para localização de pequenas fugas, conforme as normas técnicas. Documentar e corrigir imediatamente qualquer anormalidade. Treinar operadores e técnicos quanto às características do refrigerante (toxicidade, inflamabilidade) e aos procedimentos de emergência.

4. Manuseio e EPI 

Armazenar cilindros de refrigerante em áreas ventiladas, longe de calor e fontes elétricas. Ao carregar ou recuperar gás, usar EPIs (luvas térmicas, protetor facial) para evitar lesões. Não misturar diferentes tipos de óleo lubrificante nem usar ferramentas inadequadas. 

Em caso de vazamento, evacuar imediatamente a área contaminada, seguindo procedimentos de emergência, verificando necessidade de suporte médico em caso de inalação ou contato.

5. Substituição e retrofit 

Ao atualizar sistemas, substituir CFC/HCFC por fluidos alternativos aprovados (misturas “retrofit” ou naturais), respeitando as recomendações do fabricante. Sempre seguir as regras de segurança para retrofitting (por exemplo: trocar o óleo lubrificante se necessário) e confirmar a classificação de segurança (tóxico/inflamável) do novo fluido.

6. Recuperação e descarte responsável 

É proibido liberar refrigerantes na atmosfera. Equipamentos descartados devem ter o fluido recuperado por sistemas apropriados (bombas de vácuo e cilindros certificados) e enviado a empresas credenciadas para reciclagem/regeneração. 

A legislação brasileira (Lei 12.305/2010 – PNRS) considera os gases refrigerantes em cilindros como resíduo sólido, exigindo logística reversa e destinação ambientalmente adequada. Fabricantes e prestadores devem fornecer comprovantes de reciclagem (certificados) e orientar usuários sobre pontos de coleta licenciados. 

Ao fim de vida útil de um equipamento, desmontar e reciclar peças (cobre e metais) isoladamente, assegurando a neutralização de gases nocivos.

7. Capacitação e certificação profissional 

Reconhecer que a segurança no manuseio de fluidos refrigerantes depende integralmente da qualificação. Alocar recursos para a capacitação e certificação de técnicos, garantindo que o profissional que executa a manutenção seja habilitado e use equipamentos adequados.

A combinação de seleção criteriosa de fluidos, projetos seguros, manutenção preventiva rigorosa e gestão ambientalmente correta (recuperação/reciclagem) é fundamental para minimizar os riscos de segurança e os impactos ambientais dos sistemas de refrigeração. 

Cada prática adotada contribui para reduzir vazamentos, proteger trabalhadores e cumprir a legislação ambiental vigente.

A mitigação dos riscos é garantida por um arcabouço normativo robusto, que transforma a manutenção e a operação de refrigeração em uma atividade legalmente padronizada. 

As normas ABNT NBR 16069 (Segurança em sistemas), NBR 16186 (Detecção e contenção) e NBR 15960 (Procedimentos 3R) estabelecem o padrão mínimo de aceitação técnica. 

O não cumprimento dessas NBRs pode resultar em riscos operacionais inaceitáveis e, sob o ponto de vista legal, em autuações ambientais, multas e processos judiciais.

Como uma consultoria em segurança química pode ajudar

Para ajudar a sua empresa a avaliar os riscos químicos presentes nas rotinas de trabalho com fluidos refrigerantes, uma consultoria em segurança química é de suma importância.

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