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Percepção do risco químico e os acidentes químicos e nucleares

Os processos tecnológicos para a produção e utilização de substâncias químicas e energia nuclear evoluíram. Com isso, cresceu o número de pessoas expostas a tais compostos e, consequentemente, a riscos. Principalmente, os trabalhadores. Esta situação provocou o aumento dos acidentes químicos e da preocupação com a segurança. Neste cenário, é importante o desenvolvimento de novos mecanismos para gerenciar a percepção do risco químico.

Acidentes químicos na história

Alguns acidentes químicos marcaram a história no mundo e trouxeram diversos danos. Tanto para a população local como para o meio ambiente. Inclusive, causaram efeitos devastadores que se estenderam por outras regiões, além do local atingido. 

Estes casos, geralmente, são originários de explosões, incêndios e outros tipos de emissões. O que caracteriza os acidentes químicos não é apenas o número de vítimas, mas também o potencial e a extensão. Uma vez que alguns transpõem limites temporais, gerando efeitos carcinogênicos, teratogênicos, mutagênicos, entre outros

Acidentes históricos com produtos químicos no mundo:

Acidente Local Data
Metilmercúrio Minamata, Japão a partir de 1950
Talidomida Alemanha a partir de 1957
Dioxina Seveso, Itália julho de 1976
Metil-isocianato Bhopal, Índia dezembro de 1984
Materiais radioativos Chernobyl, Ucrânia  abril de 1986
Derramamento de petróleo Alaska, EUA março de 1989
Materiais radioativos Fukushima, Japão março de 2011

O que é a percepção do risco químico?

Os acidentes trazem à tona a questão sobre a percepção do risco e como as emoções das pessoas afetam a interpretação do fato. Muitas vezes, há incertezas sobre o que os acidentes químicos podem provocar nos indivíduos e no ambiente. 

Isso faz com que a população fique com medo e insegurança. Esses sentimentos junto com a repercussão por meio da imprensa podem interferir na percepção do risco químico. Um exemplo é o caso de acidentes com radiação, que geram desinformação e pânico na população.

Em praticamente todos os acidentes relatados acima, houve falha na comunicação do risco. Muitas situações e danos poderiam ter sido evitados se a informação e o conhecimento sobre os riscos fossem mais simples, acessíveis e eficientes

Os acidentes químicos mais emblemáticos

Da lista mencionada anteriormente, separamos 3 casos que tiveram grande repercussão para nos aprofundarmos. Confira:

1. Caso Talidomida e falta de percepção de risco químico

Sintetizada em 1953 pela empresa alemã Grünenthal, a talidomida foi lançada no mercado como sedativo e também com propriedades antieméticas. Ou seja, que alivia sintomas como enjoo, náusea e vômito. 

Nos estudos realizados com animais de experimentação, não houve taxas de letalidade significativa. Os únicos efeitos eram sono profundo e prolongado. Então, a substância era considerada atóxica e consumida sem prescrição médica, além de ser indicada para gestantes e lactantes. 

Na Alemanha, foram comercializadas mais de 14 toneladas do medicamento por ano. Até que, em 1958, teve início o desastre envolvendo a talidomida. Na época, um médico alemão correlacionou casos de consumo de talidomida por gestantes e o nascimento de crianças com diversas malformações congênitas. 

Em 1961, devido à grande pressão da imprensa, a talidomida foi retirada do mercado. Estima-se que entre 10 e 15 mil crianças nasceram com deformidades congênitas e ficaram conhecidas como os bebês da talidomida.

Até então, os estudos para avaliar os medicamentos não eram tão exigentes. Assim, os testes realizados para a talidomida não identificaram seu potencial teratogênico. Atualmente, sabe-se que a substância apresenta dois isômeros (a mesma fórmula química, mas com diferença na posição dos átomos na estrutura espacial da molécula). A forma R produz os efeitos desejáveis e a forma S causa os efeitos teratogênicos. 

2. Acidentes químicos em Bhopal, na Índia

A fábrica da Union Carbide foi criada em 1968, localizada em Bhopal, na Índia. Então, começou a produzir o praguicida Carbaril, sendo o metil-isocianato um composto intermediário produzido. Porém, a empresa não tinha autorização para armazenar o MIC a longo prazo. 

Na madrugada de 3 de dezembro de 1984, cerca de 41 toneladas do gás metil-isocianato vazaram do tanque da fábrica a 610ºC, se dispersando para a atmosfera. Isso ocorreu porque os sistemas de segurança essenciais falharam ou estavam inoperantes no momento do vazamento. E os procedimentos de segurança não foram estritamente cumpridos.

Mas o pior é que a empresa já apresentava outros relatos de acidentes químicos e falhas na percepção do risco químico. Em dezembro de 1981, houve a morte de um trabalhador devido ao manuseio do fosgênio. Em fevereiro de 1982, foram hospitalizados 1.925 trabalhadores devido a vazamentos em tubulações de cloro, MIC e ácido clorídrico. E, em dezembro de 1982, ocorreu um vazamento de cloro que afetou 16 trabalhadores.

No acidente de 1984, a empresa não quis alarmar a população sobre o acidente e não acionou as sirenes. Mas as pessoas acordaram no meio da noite com tosse e com os olhos queimando. A Defesa Civil, então, decidiu avisar a população e a instrução foi para que fugissem, porém, as pessoas inalaram ainda mais o gás.

No dia seguinte, 2 mil pessoas morreram e mais de 300 mil estavam intoxicadas. Estima-se que 8 mil pessoas morreram durante as primeiras cinco semanas e mais de 100 mil adquiriram lesões permanentes. Ainda hoje, cerca de 150 mil pessoas sofrem com os efeitos do gás devido ao acidente

3. Usina de Chernobyl

Em 26 de abril de 1986, ocorreu o acidente na usina nuclear de Chernobyl, situada no assentamento de Pripyat, na Ucrânia, a 18 km da cidade de Chernobyl. A usina era composta por quatro reatores e produzia cerca de 10% da energia elétrica usada pelo país na época. 

No dia da tragédia, houve duas explosões em sequência. Isso espalhou no ar centenas de pedaços de material incandescente. Peças foram lançadas até o telhado das casas, iniciando vários incêndios. A tampa de cimento do reator de 700 toneladas foi violentamente levantada e lançada para fora com a força da explosão. 

O aquecimento do reator liberou hidrogênio e monóxido de carbono. Esses gases em contato com o oxigênio geraram uma enorme explosão. O combate ao incêndio foi iniciado logo após o acidente, sendo controlado horas depois. Mas a explosão destruiu parcialmente o núcleo do reator e totalmente o sistema de resfriamento. 

Como se deu o acidente

A tragédia mostra, mais uma vez, um erro na percepção do risco químico. O acidente ocorreu durante um teste do sistema de segurança da usina. Houve um superaquecimento do reator, provocando uma explosão e lançando na atmosfera nuvens de vapor e gases com materiais radioativos. 

O grande problema foi que a nuvem atingiu mais de 5 km de altitude e, devido às condições climáticas, se expandiu por diversos países da Europa. Inclusive, foi detectada a quilômetros de distância e, além de atingir a Ucrânia, chegou também à Bielorrússia e a outras regiões da Rússia.

Consequências do acidente em Chernobyl

Os bombeiros e os operários que tentaram controlar o incêndio morreram pouco tempo após a exposição ao material radioativo. O incêndio somente foi controlado quando os helicópteros lançaram uma mistura que absorvia calor e filtrava o aerossol liberado. A mistura continha areia, dolomita e boro. 

Após tentativas frustradas de robôs limparem a área, homens foram enviados para realizar o serviço. Só que eles faleceram após a exposição. Neste acidente, mais de 50 toneladas de poeira radioativa foram dispersas no ar, atingindo uma área de aproximadamente 400 mil km²

Logo após o acidente, 31 pessoas morreram em consequência da exposição direta com a radiação e 203 sofreram lesões graves. A estimativa é que mais de 4 milhões de pessoas foram expostas ao material radioativo, além da contaminação dos alimentos. Os especialistas estimam que 8.000 ucranianos já morreram em decorrência do acidente.

Como avaliar a percepção do risco químico

Após conhecer melhor os acidentes químicos citados, cada um terá uma percepção do risco químico. A grande maioria irá classificá-los de acordo com aspectos intuitivos e emocionais, com a aceitação do risco, entre outros.

No entanto, para a compreensão da percepção de risco, foram estabelecidas algumas definições. Veja:

      • Perigo: é a capacidade de um agente químico, físico, biológico causar algum efeito nocivo, seja à saúde humana ou ao meio ambiente. O grau de periculosidade dependerá da capacidade da substância afetar os processos biológicos e também das características físicas do composto, como explodir, corroer e outros.
      • Risco: é a probabilidade de ocorrer o perigo ou efeito nocivo. É uma medida da probabilidade do dano ocorrer.

Assim, temos: Risco = Perigo x Exposição

Neste cenário, o perigo é um fator não controlável e depende da toxicidade da substância química; a exposição é um fator controlável e depende da intensidade, da duração e da frequência do contato com a substância química.

Os principais aspectos da percepção de risco 

A percepção de risco químico é determinante para o entendimento do risco. Porém, é um conceito de difícil definição. Diversos estudos de antropologia e sociologia relatam que a percepção de risco tem raízes em fatores culturais e sociais. Além disso, a reação do indivíduo frente ao perigo sofre influências de amigos, família, personalidades públicas, entre outros. 

Portanto, são vários pontos que impactam nessa avaliação, como os aspectos intuitivos, emocionais e a aceitação do risco. 

– Pontos intuitivos

A necessidade de sobrevivência faz com que tenhamos uma habilidade para sentir e evitar condições nocivas. A teoria de Maslow lista essas necessidades.

Essa teoria defende que as pessoas não reagem somente a estímulos e reforços de comportamento ou a impulsos instintivos inconscientes. Mas a percepção de risco também está relacionada a tudo aquilo que contribui para o desenvolvimento do seu potencial. Inclusive, do ponto de vista de acidentes químicos.

– Aspectos emocionais 

Há diversas emoções que interferem na percepção tanto no caso natural, como na percepção do risco químico. Por exemplo:

  • Medo;
  • Controle;
  • Risco natural, proveniente de alguma fonte natural. São normalmente mais aceitáveis pelas pessoas, como a radiação solar por exemplo;
  • Escolha;
  • Riscos novos e os medos gerados por tecnologias e produtos novos;
  • Conscientização: quanto mais conscientes sobre o risco, melhor será a percepção e maior a preocupação;
  • Impacto pessoal: o risco parece maior se a vítima for a própria pessoa ou alguém próximo a ela;
  • Relação custo-benefício: quem atua com atividades de risco é remunerado com salários mais elevado. O que mostra a percepção de risco;
  • Confiança: a confiança nos profissionais responsáveis pela proteção diminui o medo e o nível de preocupação;
  • Memória dos riscos: um acidente memorável facilita a lembrança do risco e, portanto, aumenta sua percepção, como acidentes químicos;
  • Difusão espacial e temporal: os eventos mais raros de ocorrer, como os acidentes nucleares, tornam-se mais percebidos e perigosos;
  • Efeitos sobre a segurança pessoal: um evento parece ser mais perigoso quando afeta interesses fundamentais, como saúde, moradia, futuro.

Aceitação do risco

Cada indivíduo percebe o risco à sua maneira. Assim, os riscos são entendidos dentro de um determinado cenário social, cultural e econômico. Além disso, a aceitação é baseada em experiências pessoais. 

De modo geral, os riscos mais aceitos são: voluntários, naturais, conhecidos pela ciência, não causam danos secretos ou irreversíveis; não ameaçam futuras gerações, crianças ou gestantes e não provocam morte ou doença letal.

Já os riscos menos aceitos são: involuntários, controlados por outras pessoas, concentrados em determinados locais, produzidos pelo homem, catastróficos, de fontes não conhecidas, envolvem crianças.

Como melhorar a percepção do risco químico

Neste cenário, há a necessidade de informar o perigo para os indivíduos. Seja em casos de acidentes ou em situações de exposição no ambiente de trabalho. 

Com a comunicação do risco, é importante que as pessoas compreendam o perigo e reduzam ao mínimo a exposição e o risco. Isso vale tanto para riscos naturais, como para percepção do risco químico.

Quer saber como implementar na sua empresa técnicas de gestão do risco? Nós, da Chemical Risk, oferecemos cursos voltados para a área de percepção do risco químico e prevenção de acidentes. 

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