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Riscos químicos no trabalho: como funciona a avaliação qualitativa

As substâncias químicas são utilizadas desde os primórdios da civilização humana para os mais diversos fins. O crescimento dos processos produtivos, armazenamento e transporte de produtos no mundo provocaram um aumento no número de indivíduos expostos aos riscos químicos no trabalho.

Afinal, os profissionais estão em contato com os compostos químicos diariamente. Então, devido à essa preocupação, higienistas ocupacionais trabalham constantemente para desenvolver maneiras de proteger os trabalhadores. Tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento, abrangendo pequenas, médias e grandes empresas. 

Situação da indústria de produtos químicos

Para entender a importância da gestão química e os cuidados com os riscos químicos no trabalho, é preciso observar o cenário atual. Neste sentido, segundo dados do Conselho Internacional de Associações de Indústrias Químicas, a indústria química contribuiu com US$ 5,7 trilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Atualmente, a produção de substâncias químicas é extremamente diversificada e engloba setores, como:

  • Compostos químicos básicos para a produção de praguicidas, solventes, aditivos e produtos farmacêuticos;
  • Matérias-primas ou produtos acabados que participam de diversas etapas de praticamente todas as cadeias produtivas existentes. 

No total, de acordo com o Programa Internacional de Segurança Química (PISQ), existem mais de 750 mil substâncias conhecidas. E cerca de 70 mil são rotineiramente utilizadas pelo homem. 

Porém, do total de compostos, estima-se que só cerca de 10% das substâncias possuam uma avaliação considerada minimamente adequada. Tanto aos possíveis riscos à saúde humana, como ao meio ambiente.

Como resultado, se tornou importante o desenvolvimento de regulamentações específicas, para o transporte de produtos químicos, produção, manuseio, comércio, locais de trabalho, entre outros itens.

Leitura recomendada: Percepção do risco químico e os acidentes químicos e nucleares

Avaliação qualitativa de riscos químicos no trabalho

Neste contexto, o grande desafio é conseguir desenvolver programas viáveis, principalmente para os países em desenvolvimento. Isso porque, nestas nações, ocorrem muitos casos de acidentes envolvendo trabalhadores.

Mesmo nos países desenvolvidos, há uma lacuna entre o conhecimento dos riscos químicos no trabalho e a aplicação de medidas de prevenção. Geralmente, o processo de prevenção falha devido à dificuldade de adaptar as regras às condições específicas de trabalho.

As restrições mais comuns para a implementação de estratégias adequadas para controle do risco incluem: 

  • Falta de conhecimento, educação e política; 
  • Falta de recursos financeiros e humanos;
  • Deficiências  na informação ou no acesso  à informação e na comunicação entre profissionais e instituições; 
  • Abordagens preventivas inadequadas (incluindo muita confiança nas avaliações quantitativas);
  • Fracasso na tentativa de envolver os trabalhadores e seus representantes diretos na resolução dos problemas.

Assim, pensando em minimizar os riscos, a avaliação qualitativa de risco torna-se uma vantajosa opção. Mas como funciona este processo? Trata-se da estimativa dos riscos químicos no trabalho resultante da exposição a um agente específico.

Em função do uso ou existência dos compostos no ambiente, a avaliação leva em consideração os seguintes fatores:

  • Efeitos adversos para o indivíduo ou grupo que está em contato com o agente;
  • Quantidades utilizadas;
  • Estado físico do agente químico;
  • Possíveis vias de exposição.

Leia também: Segurança química: como fazer o gerenciamento de produtos químicos?

Estratégias para gerenciar o risco ocupacional

Para reduzir os riscos químicos no trabalho, atualmente, é proposto um sistema chamado de Toolbox (em tradução livre “caixa de ferramentas”) para gerenciar o risco ocupacional. Esse Toolbox é baseado na avaliação qualitativa de risco e contém uma série de Toolkits, ferramentas semiquantitativas de gerenciamento de risco. 

Os Toolkits são baseados num conceito conhecido como “Control Banding”, isto é, controle por faixas/bandas. Este tema foi proposto em 1980 por especialistas na área ocupacional da indústria farmacêutica. Eles observaram que diversos agentes poderiam ser classificados em faixas (bandas), de acordo com sua toxicidade e as restrições de exposição.

O Control Banding divide-se em: 

  • Faixas/bandas de perigo; 
  • Faixa/banda de exposição; 
  • Faixas/bandas de controle; 
  • Orientações para medidas de controle.

O modelo mais desenvolvido para a aplicação do Control Banding foi publicado pelo Health and Safety Executive (HSE, Reino Unido), em 1998. Trata-se do guia de orientação conhecido como COSHH Essentials – Easy steps to Control Health Risks from Chemicals.

Este guia foi desenvolvido para recomendar, quando é possível, medidas preventivas para controle dos riscos químicos no trabalho. Tudo a partir de informações obtidas dos processos e atividades realizadas.

O método permitiu a estimativa da exposição esperada em situações específicas e propôs medidas de controle adequadas. Assim, a ILO (International Labour Organization) e a WHO (World Health Organization) iniciaram um movimento para promovê-lo internacionalmente para alcançar o controle do risco ocupacional.

Com isso, o COSHH Essentials foi adaptado na forma de um Toolkit, denominado International Chemical Control Toolkit (ICCT). O principal objetivo desta ferramenta é apoiar os países em desenvolvimento a concentrar seus esforços no controle do risco ocupacional, em vez de apenas focar na avaliação de risco.

Como funciona esta ferramenta de avaliação qualitativa?

Na análise dos riscos químicos no trabalho, muitas vezes, é dada ênfase nas avaliações quantitativas, tanto da exposição quanto do risco. Porém, na maioria dos casos, tal verificação é feita apenas atender as legislações. Além disso, não há estratégias coerentes de amostragem e os resultados não traduzem a realidade da exposição.

Portanto, a implementação de um sistema qualitativo de prevenção e controle à exposição ocupacional se torna uma método atrativo. Entre os principais fatores relevantes do método, estão: 

  • Complementa os modelos tradicionais de controle e avaliação; 
  • É simples e aplicável;
  • Tem baixo custo; 
  • Pode ser aplicado em diversos setores industriais.

Assim, esse tipo de avaliação qualitativa de riscos químicos no trabalho tem como objetivo:

  • Facilitar (nos casos possíveis) a recomendação de ações preventivas. Isso sem esperar pelas avaliações quantitativas que acarretam custos elevados e demandam especialistas no assunto, mas não demonstram a real situação de exposição;
  • Permitir a tomada de decisão referente à exposição e controle da mesma; 
  • Colaborar com as empresas a reconhecerem a existência de riscos químicos no trabalho à saúde dos colaboradores; 
  • Contribuir com controle e escolha de medidas adequadas.

Leia também: Riscos dos produtos químicos no ambiente de trabalho: legislação e penalidades

Colocando a metodologia em prática

Com visão focada em fornecer subsídios para o manuseio seguro de compostos químicos, a avaliação qualitativa é dividida em cinco etapas.

  1. Classificação do potencial de perigo da substância: pode ser baseada nas frases R (Sistema de classificação da Comunidade Européia) ou no GHS (Sistema de classificação proposto pela ONU). Com base na exposição, por meio ingestão ou inalação do composto, os perigos são alocados em cinco grupos distintos. Isso de acordo com o potencial de causar danos à saúde.
  1. Determinação da quantidade do composto químico: o total utilizado no processo/operação e, alguns casos, a quantidade usada por dia. Para a determinação da quantidade, há uma tabela que descreve a quantidade utilizada em: 
  • Gramas (sólidos) e mililitros (líquidos) – quantidade pequena; 
  • Quilogramas (sólidos) e litros (líquidos) – quantidade média; 
  • Toneladas (sólidos) e metros cúbicos (líquidos) – quantidade grande.
  1. Determinação da propagação da substância química no ambiente: quando a substância se encontra na forma sólida, avalia-se a quantidade de poeira produzida durante o processo/atividade. Enquanto, para líquidos, a volatilidade do composto é o que determina sua dispersão. Nesta etapa, deve-se verificar se o processo/atividade é realizado em temperatura ambiente ou não.
  1. União das informações obtidas nas etapas anteriores: por meio delas, será possível a determinação de qual medida de controle será necessária para a próxima etapa.

  2. Identificação das medidas necessárias para uma atividade específica: pode ser desde ventilação geral, controle de engenharia, até a restrição. Em último estágio, pode indicar uma medida especial, em que é preciso a assessoria especializada para definir ações de controle para elevados riscos químicos no trabalho.

Leia também: Armazenamento de produtos químicos: como funciona a matriz de incompatibilidade

Como implementar a estratégia na sua empresa?

O International Chemical Control Toolkit é um método simples e aplicável para prevenção e controle à exposição ocupacional. Até porque complementa os métodos tradicionais de controle e avaliação de riscos químicos no trabalho.

Algumas empresas brasileiras já aderiram ao modelo ICCT proporcionando melhorias no trabalho. Para manter boas condições no ambiente, avaliar os riscos e comunicar o perigo aos colaboradores, conte com a avaliação qualitativa.

Para fazer o gerenciamento dos riscos químicos no trabalho no seu negócio, conte com uma consultoria com know-how comprovado em segurança química para auxiliar a implementação destas ferramentas.

A Chemical Risk possui soluções personalizadas na área de gestão química. Confira os principais serviços para atender às necessidades da sua empresa:

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